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Cabotagem: da resistência interna ao case de sucesso

By | 16 Set, 2016

Em seus mais de 60 anos no Brasil, a indústria alemã Bosch tem seus produtos distribuídos em cerca de 11 mil pontos de venda no País. Desse total, 7 mil clientes estão localizados no nordeste, uma região em franco crescimento industrial e de consumo. Diante da demanda, a divisão de ferramentas da fábrica, instalada em Campinas, no estado de São Paulo, vinha considerando instalar um Centro de Distribuições na região, para otimizar o controle de estoque, reduzir custos e diminuir o tempo de entregas.

Durante o processo de implantação do novo CD de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, a Bosch deu início aos estudos que considerariam a melhor forma de transitar os produtos do sudeste para o nordeste, então transportados por via rodoviária. Quando a Cabotagem foi trazida à tona, o que a empresa encontrou internamente foram manifestações contrárias e bastante resistência: disponibilidade, frequência, credibilidade, lead time, falta de histórico e taxas estavam entre os argumentos que deveriam ser combatidos.

Ainda assim, a empresa decidiu levar adiante os estudos, e concluiu que a alternativa da Cabotagem não apenas atenderia às necessidades da empresa como também traria ganhos significativos com a redução de custos e o serviço integrado do armador, que operaria as cargas porta a porta.

O Porto de Suape, com larga experiência na Cabotagem e uma ampla rede de distribuição, foi naturalmente escolhido para compor a parceria entre a Bosch, seu operador próprio, a estrutura de Cabo de Santo Agostinho e a Mercosul Line como armador.

O transit time marítimo da nova operação leva 7 dias, e mais cerca de 48 horas para liberação das cargas e entrega no CD. Na opção do rodoviário, esse período seria de 5 dias. No entanto, segundo o Diretor de Supply Chain da Divisão de Ferramentas Elétricas da Bosch para a América Latina, Toni Cassaro, “no perfil desse tipo de carga, a diferença de lead time não é nenhum absurdo”. A grande vantagem que levou a empresa a escolher a cabotagem é facilmente traduzida em um número: 47% de redução de custo – essa sim, uma variável extremamente importante, realça Cassaro.

A operação está em vigor desde o mês de maio e, portanto, ainda não formou comparativos anuais, porém já vem sendo considerada como uma referência para a própria empresa. A Bosch Ferramentas atende exclusivamente a clientes distribuidores (B2B), porém Cassaro não descarta acrescentar no escopo da companhia o atendimento direto ao cliente por meio de e-commerce (B2C), além de outras expansões. “Este é o nosso primeiro CD fora de São Paulo, mas a empresa vem considerando outros pontos no Brasil”, revela o executivo.

Basicamente, a estratégia da companhia tem sido se aproximar do cliente, uma tendência global, e Suape tem uma localização geográfica bastante interessante para se consolidar como nosso hub. “Hoje, chegamos ao cliente em 3 dias, o que antes eram 10 dias. Foi de fato uma decisão de risco experimentar esse tipo de serviço, e assumir as possíveis as preocupações que ele traria. Porém, até agora nem os operadores e tampouco o cliente mostrou qualquer tipo de ocorrência ou preocupação, ou seja: no momento, os resultados são absolutamente positivos”, disse Toni Cassaro, que espera que a operação se torne um case de referência – inclusive para outras áreas da própria Bosch.

Esta e outras experiências de embarcadores que aderiram à cabotagem com ganhos significativos foram apresentadas durante o evento A Hora da Cabotagem, realizado pelo Guia Marítimo no Meliá Business, em São Paulo, no dia 15 de setembro.

Fonte: Guia Marítimo, 15/9/2016.