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Fibria já avalia novo projeto para ampliar capacidade

By | 06 Dez, 2017

Maior produtora mundial de celulose de eucalipto, a Fibria já está debruçada em um novo projeto de expansão. A data para início de construção de mais uma linha produtiva ainda não está definida, mas a perspectiva da administração da companhia, de que há espaço para pelo menos três fábricas no mundo nos próximos quatro anos, fornece algum horizonte. “Queremos nos encaixar em um desses projetos”, disse ao Valor o presidente da companhia, Marcelo Castelli.

Em linhas gerais, a percepção de que há condições para novas linhas de celulose, “disciplinadamente” espalhadas ao longo do intervalo de quatro anos, leva em conta o crescimento de 1,5 milhão de toneladas ao ano da demanda e o consumo adicional de fibra virgem resultante das restrições da China ao uso de aparas de papel e reciclados. Somente esses movimentos abririam mercado para, no mínimo, 5 milhões de toneladas em novos projetos.

A decisão final, observou Castelli, não será influenciada pela intenção ou anúncio de expansão de capacidade de outros produtores. Neste momento, há uma corrida entre os participantes da indústria para aproveitar uma rara oportunidade de mercado, aberta pela ausência de projetos que entrariam em operação nos próximos três anos. Assim como a Fibria, outras empresas estão olhando essa janela e avaliando novas capacidades, entre elas a também brasileira – e concorrente – Suzano Papel e Celulose.

“Seguimos com a preferência pela consolidação, mas já começamos a analisar outras opções de crescimento”, ressaltou o executivo. De acordo com Castelli, uma ideia é replicar o recente projeto de expansão da fábrica de Três Lagoas (MS) no que já é chamado de Horizonte III. “Com isso, ganhamos seis meses de vantagem em relação a outro projeto que seja anunciado”, afirmou o presidente.

Há questões ainda que devem ser resolvidas para que o plano siga adiante, como logística, e a companhia poderia antecipar ou prorrogar sua execução conforme o cenário. Neste momento, a Fibria está na fase final do investimento de R$ 7,3 bilhões no projeto Horizonte II, que adicionou uma nova linha à unidade de Três Lagoas, de 1,95 milhão de toneladas por ano. Com a nova capacidade, em operação desde o fim de agosto, a companhia pode produzir cerca de 7,3 milhões de toneladas por ano de celulose.

“O projeto Horizonte III é realmente uma questão de tempo”, reiterou Castelli, que hoje participa do Fibria Day – apresentação anual que a companhia faz a investidores em Nova York. A expansão de capacidade da líder mundial de celulose de fibra curta é um dos pilares da estratégia de geração de valor ao acionista, conforme o executivo. Pagamento de dividendos, fortalecimento da competitividade dos negócios atuais e preparação para uma nova rodada de consolidação estão previstos no plano, que passa ainda por diversificação. Nesse terreno, a companhia está levando adiante o que chama de “bio-estratégia”, relacionada também a sustentabilidade, e desenvolve oportunidades em celulose solúvel, biomateriais, biocombustíveis e nanocelulose.

“É um pipeline transformador, com portfólio anticíclico”, destacou Castelli. Ao mesmo tempo em que investiu R$ 7,3 bilhões na nova linha, a Fibria pagou R$ 2,8 bilhões em dividendos a seus acionistas e caminha para encerrar o ano com alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebtida, em dólar, abaixo de 2,5 vezes, conforme expectativa de analistas. Essa trajetória, de crescer e ampliar o retorno ao acionista, tende a se manter daqui para a frente, desde que a alavancagem fique dentro da meta, de acordo com o diretor de Finanças e Relações com Investidores Guilherme Cavalcanti. Conforme o executivo, o balanço financeiro atual permite conciliar um novo projeto de expansão e proventos.

No próximo ano, a Fibria deve anunciar a distribuição mínima prevista na legislação, de 25% do lucro líquido de 2017, mas há possibilidade de esse percentual ser superior. De janeiro a setembro, o lucro da companhia foi de R$ 813 milhões. Já o retorno sobre o capital investido (ROIC) anualizado foi de 6,3%. “A capacidade de crescer e pagar dividendos vai ser ainda maior do que entre 2015 e 2016, quando começamos o projeto Horizonte II [de expansão]“, ressaltou o executivo. Agora, explicou, a Fibria conta com a geração de caixa adicional da nova linha e os preços da celulose no mercado internacional estão muito acima do que se viu há dois anos. Além disso, o pico de alavancagem da companhia durante a execução de Horizonte II foi relativamente mais baixo do que o de outros projetos e o custo do financiamento ficou em 3,5% ao ano em dólar, o que contribui para a expectativa de balanço robusto mesmo diante de um eventual novo projeto de expansão.

A Fibria, surgida em 2009 como resultado da fusão de Aracruz e Votorantim Celulose e Papel (VCP) é controlada pelo grupo Votorantim e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com Cavalcanti, a estratégia da empresa de gestão de passivos em curso é usar US$ 1,5 bilhão para pagar pré-pagamentos de exportação mais antigos, que carregam compromissos (covenants) relacionados à eventual perda da nota grau de investimento das agências de classificação e estabelecem teto para alavancagem financeira em 4,5 vezes. Serão US$ 200 milhões do caixa da empresa – com redução da dívida bruta -, US$ 600 milhões do bônus emitido em novembro e mais US$ 700 milhões em pré-pagamentos de exportação contratados com um consórcio de sete bancos.

Fonte: Valor, 6/12/2017.