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Leilão de porto no Pará deve atrair Liquigás

By | 05 Abr, 2018

No primeiro leilão de transportes do ano, a Companhia Docas do Pará (CDP) realiza amanhã licitação para conceder à iniciativa privada a exploração de três áreas no porto de Belém (PA) para armazenagem e distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP). Conforme o Valor apurou, foram entregues propostas para duas áreas. A terceira, hoje operada pela Paragás, ficou sem oferta.

A distribuidora Liquigás é considerada presença certa na concorrência. A empresa já opera um dos lotes que serão concedidos e não tem interesse em perder o negócio, de alta relevância para a região. As instalações integram a rede de distribuição de abastecimento de GLP para a região metropolitana de Belém, insumo essencial para a população e utilizado em 95% dos domicílios.

As propostas de preço serão abertas na B3, em São Paulo, a partir das 10 horas. O leilão consta do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), do governo federal.

Vence quem der o maior valor de outorga pelos arrendamentos, que serão válidos por 20 anos. Um mesmo proponente pode apresentar oferta para todas os lotes, contudo só poderá arrematar um.

Participarão do leilão em viva-voz, podendo apresentar lances nessa etapa, as proponentes classificadas cuja oferta atenda a pelo menos uma das condições: esteja entre as três maiores ou o valor da oferta seja igual ou superior a 90% da maior proposta.

As três áreas ficam no chamado retroporto, sem acesso direto ao cais. São abastecidas por dutos conectados ao terminal operado pela Transpetro, que, por sua vez, se liga, também por dutos, ao píer. Cabe ao terminal explorado pela Transpetro fazer a movimentação portuária e a armazenagem primária do GLP.

Os lotes são denominadas BEL05, BEL06 e MIR01. Apesar das nomenclaturas distintas, ficam no mesmo local. O BEL05 e o BEL06 estão operacionais, sendo explorados pela Liquigás Distribuidora e Paragás Distribuidora, respectivamente. O único que está ocioso é o MIR01. A área não tem instalações, por isso quem arrematá-la terá de implantar um terminal.

São 25,4 mil metros quadrados e o investimento previsto é de R$ 65,6 milhões, valor na data-base de abril de 2017. Quem arrematar deverá pagar R$ 81,1 mil por mês à administração do porto (CDP).

Com 33,9 mil metros quadrados, a BEL05 demandará investimentos estimados em R$ 51 milhões. O vencedor deverá pagar R$ 216,8 mil por mês à CDP. A BEL06, que deu vazia, tem 32,2 mil metros quadrados e necessitaria R$ 51,5 milhões em desembolsos. Quem arrematasse teria de pagar à CDP o montante de R$ 259 mil por mês.

Após ser recebido pelos terminais de retroporto, o GLP é armazenado em tanques secundários próprios e envasado em botijões que são expedidos em caminhões. A modelagem do estudo do leilão considerou apenas as operações realizadas dentro das áreas. Deixou de fora atividades como frete rodoviário, pontos externos de armazenagem e venda dos botijões.

Também não considerou os dispêndios para aquisição de parque de botijões personalizados. Por isso, um eventual novo entrante terá um investimento adicional a fazer. “Da mesma forma que esse é o principal trunfo de quem já está operando”, explica Ivam Jardim, sócio da Agência Porto Consultoria.

A taxa interna de retorno é de 7,18% ao ano, calculada pela Antaq, a agência reguladora do setor.

Fonte: Valor, 5/4/2018.