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Movimentação ferroviária de contêineres deve crescer 20% ao ano

By | 23 Mar, 2017

O transporte ferroviário de cargas por contêineres deve crescer de 10% a 20% ao ano. De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate, apesar de o transporte ferroviário ser tradicionalmente forte nas commodities, principalmente com grãos e minério de ferro, e do transporte de cargas gerais ser de apenas 3% historicamente, há uma visão das concessionárias e do mercado que esse número cresça nos próximos. “Para isso, é necessário que se tenha mais trens dedicados ao transporte de cargas via contêiner, com corredores para exportações e importações”, afirma.

O presidente da Câmara Brasileira de Contêineres, Transporte Ferroviário e Multimodal (CBC), Silvio Campos, estima um desenvolvimento ainda maior para o segmento. “Temos uma projeção de crescimento de aproximadamente 20% ao ano no transporte de cargas por contêineres. Um dos modais que mais se beneficiará dessa evolução será o ferroviário”, diz.

A MRS, uma das maiores companhias do setor no país, comprova esse avanço. Nos últimos três anos, a cempresa vem registrando aumento acima de 30% ao ano na movimentação de contêineres. “Em 2015, por exemplo, transportamos 67,7 mil TEUs, volume 31,4% superior ao de 2014”, destaca o gerente geral de negócios dedicados a cargas gerais da companhia, Guilherme Alvisi.

O presidente da Abifer ressalta que essa evolução, se comparada desde a época em que o transporte ferroviário deixou de ser estatal, em 1997, até os dias atuais, mostra-se muito superior. “Em 1997 transportavam-se aproximadamente 3 mil contêineres e atualmente são movimentados cerca de 417 mil. Depois de 20 anos, o país já transporta 139 vezes mais do que naquela época”, diz.

Para ele, isso é ainda é pouco e o setor pode se desenvolver ainda mais. Para atingir as estimativas e até superá-las, uma das alternativas é investir em inovações tecnológicas e em novos serviços. “Temos que aumentar ainda mais a capacidade do vagão e diminuir o tempo de descarga, gerando aumento de produtividade e redução de custos”, salienta Abate, que estará na Intermodal 2017.

Desempenho recorde

O crescimento da demanda é sentido em diferentes pontos do país. A movimentação de contêineres na Santos Brasil, por exemplo, nos quatro ramais ferroviários do Tecon Santos, cresceu 32% em 2017. Foram 43.551 unidades ao longo do ano passado,  10.614  a mais que os 32.937 contêineres movimentados em 2015. O melhor mês de 2016 foi dezembro com 4.461 unidades movimentadas.

Este resultado reflete a alta demanda de commodities conteinerizadas, com predomínio de papel e celulose, que somaram 17 mil contêineres, provenientes das regiões de Suzano (SP) e Três Lagoas (MS). De acordo com o diretor executivo de Operações Portuárias e Logísticas da Santos Brasil, Ricardo Molitzas, os investimentos em tecnologia também impulsionaram a performance do modal ferroviário.

A empresa implantou uma ferramenta inovadora e pioneira no Porto de Santos, denominada Twin Pick, que dobrou a produtividade de operações ferroviárias com a descarga e o embarque simultâneos de dois contêineres de 20 pés. “Um ganho importante com o novo sistema é que agora conseguimos operar uma composição com 50 contêineres de 20 pés em cerca de uma hora e meia, o que antes era demorava, em média, três horas”, salienta o executivo, que se mostra otimista para 2017.

A operação logística por ferrovia é uma das apostas da Santos Brasil há, pelo menos, quatro anos. A companhia tem aproveitado a vantagem competitiva de operar o único terminal com quatro ramais no Porto de Santos e o cenário de oportunidades no setor ferroviário no país, hoje oferecendo custos atrativos ao cliente.

O modal ferroviário é hoje uma forte alternativa para a diminuição do trânsito nas estradas e nos acessos ao Porto de Santos. Cada vagão pode transportar até quatro contêineres de 20 pés, quantidade suficiente para tirar das ruas quatro caminhões. Além disso, reduz o risco das operações e o nível de emissão de CO2 em até 70% no meio ambiente e está diretamente alinhado aos objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas  (ONU).

Fonte: Informativo dos Portos, 23/3/2017.