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Porto de Santos, Wilson Sons e DockTech assinam acordo de cooperação técnica para uso de tecnologia pioneira no Brasil

By | 10 Dez, 2021

A Santos Port Authority (SPA), a Wilson Sons e a DockTech assinaram nesta quinta-feira (09/12) acordo de cooperação técnica para aperfeiçoamento e uso de tecnologia inédita de monitoramento do leito marítimo. O acordo formaliza parceria que visa o estudo e colaboração entre as 3 empresas para aperfeiçoamento de solução de monitoramento em tempo real da profundidade operacional do canal de navegação e acesso aos berços de atracação do Porto de Santos. Desenvolvida pela startup israelense DockTech, a solução mapeia em tempo real a profundidade do canal de navegação e é capaz de entender o padrão de assoreamento dos portos, prevendo como as variações no leito afetam a segurança da navegação e o transporte de cargas.

O diretor-presidente da SPA, Fernando Biral, destaca que a iniciativa integra a estratégia da SPA de unir esforços com a comunidade portuária e agentes públicos e privados da região para encontrar padrões e semelhanças em serviços, viabilizando seu compartilhamento para racionalizar investimentos e acelerar o processo de inovação em busca de maior eficiência operacional. “Essa parceria é um marco importante, pois mostra que juntos podemos fazer mais e melhor para colocar o Porto de Santos em um novo patamar de desempenho e inovação tecnológica”, afirma Biral.

A interação com a Wilson Sons e a DockTech é a primeira iniciativa regrada pela norma da SPA que estabelece diretrizes de parcerias para o desenvolvimento de inovações tecnológicas no Porto.

Os primeiros testes com a tecnologia no Brasil ocorreram no Porto de Santos e, agora, com o acordo de cooperação técnica, a parceria será ampliada. “Ter como parceiro estratégico o maior porto da América Latina é muito significativo para nós e oportuno para o aprimoramento da ferramenta”, destaca Márcio Castro, diretor executivo da Divisão de Rebocadores da Wilson Sons.

A tecnologia de gêmeos digitais da DockTech utiliza dados batimétricos (medição da profundidade) coletados pelos rebocadores da Wilson Sons para criar uma representação virtual dinâmica do leito marítimo do Porto. Ao analisar esses dados com algoritmos baseados em inteligência artificial é possível identificar a ocorrência de assoreamento, antecipar as necessidades de dragagem e garantir maior segurança à navegação.

“A infraestrutura portuária mundial ainda não possui instrumentos capazes de monitorar em tempo real a profundidade dos canais de navegação e acesso aos berços de atracação. A solução da DockTech possibilita fazer essa medição de forma dinâmica e, assim, evitar restrições de calado operacional, aumentar a segurança da navegação e prevenir o desperdício de recursos com dragagem”, explica Uri Yoselevich, co-fundador da DockTech.

As campanhas para levantamentos hidrográficos, categoria A, ordem especial, que são utilizados para monitoramento das profundidades do canal de acesso do Porto de Santos e para acompanhamento e medição dos serviços de dragagem, custam em torno de R$ 2 milhões por ano. Biral explica que a nova tecnologia possibilitará à SPA aprimorar seu planejamento e investir de forma mais assertiva e eficiente na manutenção da profundidade do canal de navegação do Porto.

Além da redução dos custos, outro benefício apontado pelo executivo da Wilson Sons é a possibilidade de antecipar cenários e entender como condições meteoceanográficas afetam o assoreamento do canal. “A ferramenta nos alimenta com dados 24 horas por dia. Isso permite uma visualização dinâmica do que ocorre no porto. É como substituir uma foto por um filme em tempo real”, explica Márcio.

A Autoridade Portuária irá cooperar na análise técnica e aperfeiçoamento da ferramenta, sugerindo adequações que atendam às necessidades da SPA, além de propor novas aplicabilidades e possíveis ganhos viabilizados pelo uso da solução.

O secretário-executivo adjunto do Ministério da Infraestrutura, Felipe Queiroz, conheceu de perto a tecnologia. “A agenda de inovação é uma prioridade do Governo Federal, esse tipo de iniciativa tem total apoio do Ministério da Infraestrutura. É um grande avanço da SPA para fazer de Santos um porto mais moderno, mais seguro e operacionalmente mais inteligente”, destaca.

Norma para parcerias – A norma que estabelece as diretrizes para parcerias no Porto de Santos, publicada em setembro, abre um leque de possibilidades para o ecossistema de inovação que visa a intensificar a cooperação entre a SPA, os terminais portuários, instituições científicas e tecnológicas, institutos de pesquisa e startups em busca de soluções compartilhadas para as atividades do Porto de Santos.

Esse regramento integra a agenda de inovação que a SPA deflagrou em 2019 com a digitalização de serviços e desburocratização de normas com vistas a avançar para o modelo de Porto 4.0. A Autoridade Portuária também criou um Comitê de Inovação que concentrará as iniciativas de soluções tecnológicas.

Outro aspecto importante desse processo é a relação Porto-Cidade, visto que estabelece um envolvimento maior com as universidades, por meio de uma interlocução sobre o novo perfil do trabalhador portuário, de forma que as universidades possam preparar os graduandos para ocupar os novos postos de trabalho gerados pelos terminais.