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Santos eleva calado e amplia oferta em 10%

By | 13 Jul, 2018

Após muitas idas e vindas, o porto de Santos conseguiu aumentar em 30 centímetros o calado operacional permitido para os navios trafegarem nos quase 25 quilômetros do canal de navegação, às margens do qual está quase uma centena de terminais.

A Capitania dos Portos de São Paulo homologou ontem o calado em 13,50 metros ante 13,20 metros. Com isso, haverá um ganho operacional de 10% na capacidade de carregamento dos navios em Santos, o maior do país, estimou o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Alex Oliva.

Em 2017, Santos movimentou 130 milhões de toneladas. Com o novo parâmetro, que passa a valer hoje, o porto poderá encerrar um ano completo com 145 milhões de toneladas sem dificuldades – número que tem potencial de aumentar, pois, na maré alta, os navios podem operar com um metro a mais, até 14,50 metros de calado.

Na maior parte do canal a nova medida foi alcançada por meio de campanhas de dragagens. Mas no fundo do canal, uma área mais restrita e difícil de dragar (o chamado trecho 4), os 13,50 metros foram garantidos a partir de uma mudança de metodologia no cálculo da margem de segurança. O chamado “pé de piloto”, que é a folga entre o casco do navio e o leito do estuário, foi reduzido de 1,50 metro para 1,20 metro.

“Fizemos estudo com a USP e praticagem e apresentamos à DPC [Diretoria de Portos e Costas]. A Marinha aceitou nossos argumentos e sugeriu que pudéssemos ter ganhos na redução do ‘pé de piloto’ de 1,50 metro para 1,20 metro, o que dá os 30 centímetros a mais de capacidade”, disse Oliva.

Esse processo levou dois anos. Entre outras ações, foi feito um levantamento dos últimos 30 anos do banco de dados da cartografia do porto para ter maior segurança, além da realização de modelos matemáticos.

Com isso, navios com calado maior, que ficavam até 12 horas esperando a maré subir para entrar ou sair do porto, não terão mais esse problema. “Ganha-se na velocidade da operação, aumenta o número de navios e libera os berços de atracação, consequentemente, aumenta a produtividade do porto”, afirmou o executivo.

Um centímetro a mais de calado significa 100 toneladas adicionais carregadas por navio ou oito contêineres. Em valores, um centímetro gera US$ 14,5 milhões por ano, conta que leva em consideração ganho de US$ 40 mil a cada centímetro multiplicado por 364 atracações ao ano.

O capitão de mar e guerra Daniel Américo Menezes, capitão dos portos de São Paulo, afirmou que a segurança da navegação está garantida mesmo com a redução do “pé de piloto”. “Hoje temos condições bem melhores no canal e uma frequência melhor nos levantamentos hidrográficos que nos dão condições boas para operar.”

Apesar do novo calado, Santos continua com problema para receber navios grandes, os de 366 metros de comprimento. Uma curva no porto limita a 220 metros a largura do canal no trecho mais estreito, o que impõe restrições na manobra dos grandes navios e uma operação custosa. Por exemplo, a necessidade de cinco rebocadores para puxar a embarcação em vez de dois. A Codesp tenta autorização do Ibama e do Ministério Público para alargar o trecho para 300 metros. “É possível alargar sem causar danos”, garante Oliva.

Fonte: Valor, 13/7/2018.