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Setor privado mostra interesse, mas aguarda detalhamento

By | 14 Set, 2016

O setor privado demonstrou interesse na Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) anunciado pelo governo ontem, mas aguarda maior detalhamento das regras para dimensionar a atratividade dos projetos. Essa é o resumo da opinião das empresas consultadas pelo Valor.

“Vamos ver se as boas intenções do governo se transformam em realizações”, disse Nelson Carlini, presidente do conselho administrativo da Logz Logística Brasil, holding com investimentos em empresas de logística portuária. A Logz tem cerca de R$ 2 bilhões investidos nos três terminais portuários dos quais é sócia. Para Carlini, “o importante é a execução dessa operação”.

De acordo com o executivo, o adiamento para o segundo semestre do ano que vem dos leilões de portos inicialmente previstos para este ano não
é problemático. Na sequência dos três terminais portuários que serão licitados, diz, outros leilões virão. Mas até lá, argumenta, Brasília poderia acelerar as renovações antecipadas dos contratos de arrendamentos com cláusula de renovação ainda não usufruída como forma de destravar investimentos.

O Grupo CCR, de concessões rodoviárias, disse em nota, que acompanha as medidas e espera sua regulamentação. “Vai depender das condições oferecidas para cada negócio e de sua viabilidade econômico-financeira e ambiental”, diz o texto.

As concessionárias de rodovias têm uma percepção de que os projetos anunciados terão “viabilidade” e vão despertar interesse de grupos investidores. “Reconquistar a confiança e a credibilidade é uma tarefa longa, mas o que nos deixa satisfeitos são os prazos. O governo está sinalizando que haverá cerca de um ano para fazer estudos adequados”, disse Flávio Freitas, diretor-técnico da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

O executivo destacou como positivo o fato de que, a partir de agora, só irão a concessão projetos com viabilidade ambiental comprovada.

Também em nota, a Bunge manifestou interesse em disputar a licitação do terminal de trigo do Rio de Janeiro, um dos leilões adiados para 2017. “Quanto mais cedo esse processo ocorrer, melhor”, afirmou a empresa.

A Aegea declarou interesse nas três concessões de saneamento previstas no PPI das estatais do Rio de Janeiro, Rondônia e Pará com leilões estão previstos para 2018. A empresa já está presente nos três Estados, em concessões municipais. “Fica ainda mais interessante com uma operação maior”, disse o presidente da empresa, Hamilton Amadeo. Ele pondera que tudo depende da modelagem que será apresentada para cada caso.

“Saiu como esperávamos”, disse Guilherme Quintella, CEO da Estação da Luz Participações (EDLP), empresa estruturadora de negócios com interesse na Ferrogrão, o principal projeto do setor ferroviário na visão do setor privado. A linha de 933 quilômetros entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) é voltada para o transporte exclusivo de grãos. A EDLP uniu as concorrentes Amaggi, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e ADM para a criação do consórcio que deseja explorar a ferrovia.

Com investimento estimado em R$ 12,6 bilhões, a Ferrogrão promete baratear em até 40% o frete de soja e milho do Centro-Oeste para o exterior.

A expectativa do governo é de que a licitação ocorra no segundo semestre de 2017. Outros dois trechos a serem licenciados são a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol, com diversos problemas de execução e falta de orçamento) e a Norte Sul, em fase final de construção.

Para o advogado Marcello Ribeiro Lima Filho, sócio do Lima Feigelson Advogados, o programa mostra que o governo reconhece o “protagonismo” do setor privado na área de pesquisa mineral. Lima disse que o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) tem cerca de 20 mil áreas disponíveis que poderão ser oferecidas ao mercado.

Fonte: Valor Econômico, 14/9/2016.