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Treinamento é o foco do novo presidente da Praticagem de Santos

By | 31 Jan, 2017

Investir em treinamento profissional e na aquisição de novas embarcações para o acesso aos cargueiros que atracam no Porto de Santos está entre as metas do novo presidente da Praticagem de São Paulo, Nilson Ferreira. O prático substitui o ex-presidente Cláudio Paulino Rodrigues e permanecerá no cargo até 31 de dezembro de 2018.

Nos últimos anos, Nilson atuou como diretor financeiro e vice-presidente da entidade que reúne os práticos dos portos de Santos e São Sebastião. Agora, segundo ele, a expectativa é manter a qualidade do serviço prestado pela categoria responsável pelas manobras de entrada e saída de embarcações no cais santista.

De acordo com o novo presidente, um dos planos é manter o treinamento constante dos profissionais. Isto inclui cursos internacionais, como em Port Revel, na França. Localizada entre Lyon e Grenoble, a unidade de ensino prepara práticos de todo o mundo.

Lá, as aulas acontecem em um lago de 5 hectares (50 mil metros quadrados, 6,7 vezes a área do campo da Vila Belmiro, do Santos Futebol Clube). No local,foram instalados, em escala, atracadouros de terminais variados, como os de contêineres e de líquidos. Há ainda canais de navegação estreitos e áreas confinadas, reproduzindo cenários encontrados nos mais diversos portos do mundo,inclusive no de Santos. Tudo isso é feito em escala reduzida, de 25 para 1. Neste caso, navios de 300 metros de comprimento se transformam em embarcações de 13 metros.

Nos próximos dois anos, de acordo com Nilson, o foco da entidade será no acesso de navios de grande porte, com 366 metros de comprimento e que podem carregar até 14 mil TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Para isso, o treinamento deverá ser feito em Houston, nos Estados Unidos. “Nós buscamos parcerias com outras praticagens e institutos de pesquisa e o nosso foco eram os navios de 366 metros. Em nenhum deles havia esse navio-tipo em modelo físico reduzido.

Em contato com a praticagem de Houston que é muito parecida com Santos em termos de tamanhos de navios, configuração do canal e números de manobras, vimos que eles, preocupados com a demanda,mandaram fazer o modelo desse navio.E nos convidaram para ir conhecer”,explicou Ferreira.

A previsão é de que os treinamentos, que devem durar cerca de uma semana, sejam executados por grupos de 4 a 5 práticos. As aulas serão direcionadas aos profissionais, de acordo com as características específicas do cais santista e dos navios que trafegam por aqui.

REDRAFT

Outra meta do novo presidente da Praticagem é aperfeiçoar um sistema utilizado desde o ano passado. Trata-se do Redraft (calado em tempo real,na tradução do inglês), que conta com um banco de dados com mais de 10 mil embarcações catalogadas e utiliza informa- ções captadas pelo Centro de Coordenação, Comunicações e Operações de Tráfego (C3 OT) da entidade.

O Redraft cruza as informações sobre a variação da maré, a altura das ondas, a intensidade das correntes marítimas e a direção dos ventos com as caraterísticas dos navios que operam no cais santista. Os volumes das mercadorias–principalmente a tonelagem – são levadas em conta na hora de identificar o melhor momento para a atracação.

“A nossa nova meta é aperfeiçoar o Redraft para trabalhar com previsão. As universidades vão se envolver nessa questão. O ideal é saber qual vai ser o calado que eu vou poder utilizar amanhã ou em determinado período. Com os dados que eles estão obtendo hoje, vão fazer um modelo matemático”, destacou o presidente da Praticagem.

LANCHAS

A entidade também pretende estudar a viabilidade de compra de duas novas lanchas, que vão reforçar a frota de 18 embarcações da entidade. O investimento está avaliado emR$5 milhões.

Hoje,as lanchas da Praticagem medem cerca de 10 metros de comprimento. Os planos incluem a aquisição de embarcações maiores e mais modernas. Cada uma terá 13,5 metros de comprimento, o que garante maior estabilidade e autonomia para uma navegação segura até os cargueirosque entrame saem do Porto de Santos.

De acordo com Ferreira, também estão previstos investimentos no estaleiro da Praticagem. O plano é que o local tenha sua capacidade aumentada para reparos e manutenções preventivas. “Agente se equipa para trabalhar no pico de movimento. Se tivermos dois ou 20 navios, vamos atender do mesmo jeito. A logística é onerosa e trabalhosa. Imagina ter uma frota com rotações extremas 24 horas por dia? A nossa meta é mantemos tudo no estado da arte”, destacou o presidente da Praticagem.

Paulino destaca projetos de sua gestão

Claudio Paulino Rodrigues deixa o comando da Praticagem de São Paulo com a sensação de dever cumprido e garante que teve uma grande experiência pessoal e profissional na presidência da entidade. Entre as seus principais realizações, o prático cita a implantação do Redraft (calado em tempo real, na tradução do inglês) e ainda os índices de uma pesquisa que aponta 100% de satisfação dos usuários nos itens de confiabilidade e eficiência do serviço.

“Foi uma administração trabalhosa porque nada disso é feito sem suor, mas também foi de bastante prazer em ver que a Praticagem chegou melhor do que no início. Aqui todo mundo coloca tijolos para fazer melhor”, destacou o ex-presidente da entidade.

Um dos últimos atos de Paulino no comando da Praticagem foi um acordo inédito com a Associação Brasileira de Navios de Cruzeiros (Clia Brasil). A medida foi classificada pelo prático como um “ótimo encerramento de gestão”. Nos próximos cinco anos, os navios de cruzeiros que atracarem mais vezes no Porto de Santos terão descontos que podem chegar a 26% no pagamento das manobras de entrada e saída no cais santista.

Paulino também citou o treinamento internacional de cerca de 40 profissionais responsáveis pelas manobras de atracação e desatracação no Porto de Santos. Os cursos aconteceram em Port Revel, entre Lyon e Grenoble, na França.

A implantação do Redraft e a consolidação do Centro de Coordenação, Comunicações e Operações de Tráfego (C3OT) também foram lembrados pelo ex-presidente da Praticagem. O sistema conta com um banco de dados com mais de 10 mil embarcações catalogadas e utiliza informações captadas pelos equipamentos instalados centro operacional.

O sistema foi desenvolvido pela empresa Argonáutica, em parceria com o Tanque de Provas Numérico da Universidade de São Paulo (TPN –USP). Ele utiliza dados sobre a variação da maré, a altura das ondas, a intensidade das correntes marítimas e a direção dos ventos.

“Nós estamos vendo uma mudança na natureza bastante grande. As ressacas estão cada vez mais frequentes, mais fortes, os navios cada vez maiores. Precisávamos dessa tecnologia para que não houvesse interrupção no tráfego, precisávamos também de métodos científicos e garantir que os navios de grande porte, que estão expostos ao risco de ocorrência de ondas, pudesse navegar com maior segurança possível”, destacou o prático.

Fonte: A Tribuna, 30/1/2017.