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O que acontece no Estreito de Ormuz impacta diretamente o Brasil

| 03 mar, 2026
O Estreito de Ormuz é uma das principais artérias do comércio global. Cerca de 20% do petróleo mundial passa por ali. Qualquer instabilidade relevante na região impacta imediatamente o preço do petróleo, da energia, aumento de despesas com o combustível (óleo combustível ou diesel) os prêmios de seguro e, por consequência, o frete internacional.

Estamos falando, portanto, de aumento nos custos globais e, por consequência, aumento do custo Brasil.

Já vimos fenômeno semelhante na guerra entre Rússia e Ucrânia e, mais recentemente, nas tensões no Mar Vermelho, que obrigaram embarcações a redirecionarem suas rotas pelo Cabo da Boa Esperança. O resultado foi claro: aumento de fretes, maior consumo de combustível, elevação de seguros e pressão inflacionária global.

Se houver escalada relevante envolvendo o Irã, o impacto poderá ser ainda mais sensível.

Para o Brasil, isso significa:

* Aumento no custo de importação de fertilizantes;
* Pressão sobre o preço dos combustíveis;
* Encarecimento de insumos industriais;
* Maior volatilidade nas tarifas de frete para exportações;
* Redução de previsibilidade para contratos internacionais.

Em um país altamente dependente do transporte marítimo, responsável por mais de 90% do nosso comércio exterior, é preciso ficar atento.

O Brasil precisa fortalecer sua agenda portuária, ampliar eficiência logística, reduzir burocracia regulatória e acelerar investimentos em infraestrutura.
Em momentos de tensão global - e tudo indica que essas tensões são uma tendência para os próximos anos - competitividade logística deixa de ser diferencial e passa a ser mecanismo de proteção econômica.

O setor marítimo opera sob lógica de risco. Quando a geopolítica pressiona rotas estratégicas, a imprevisibilidade se transforma em custo e e alguém sempre paga essa conta.

O mundo vive uma reconfiguração das cadeias globais. O Brasil precisa decidir se será apenas espectador ou se vai estruturar sua logística para competir em um cenário cada vez mais instável.

Fabrizio Pierdomenico é economista e sócio- diretor da Agência Porto - Consultoria Portuária e Empresarial

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