Com uma carteira de oito projetos de concessões ferroviárias previstos para 2026, a Infra S.A. publica o “Panorama do Sistema Ferroviário Brasileiro com Foco em Carga Geral”. O documento, elaborado pelo Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL) em parceria com a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), apresenta uma leitura abrangente sobre a importância do transporte ferroviário de cargas no Brasil, desde a inauguração da primeira ferrovia, em 1854, até o ciclo de investimentos atual, impulsionado pelo Novo PAC.
Os investimentos nos mais 9 mil quilômetros de trilhos que serão concedidos em 2026 podem ultrapassar a marca de R$ 800 bilhões. O Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Ferrogrão, e o Corredor Leste-Oeste, composto por ferrovias que se encontram em fase de construção também pela Infra S.A.: a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) fazem parte das ferrovias previstas para serem concedidas.
Histórico
O estudo reúne dados que evidenciam o papel estratégico das ferrovias para a competitividade logística do país, além de apontar caminhos para a ampliação da participação do modal na matriz de transportes. O relatório também traz um panorama atualizado da indústria ferroviária nacional e destaca que o Brasil já é capaz de suprir cerca de 80% da demanda por vagões e dormentes, o que demonstra maturidade produtiva e capacidade de atender à expansão prevista do setor por meio das novas concessões.
Com um histórico associado ao escoamento de commodities, especialmente no transporte das áreas produtoras até os portos, o estudo ressalta a necessidade de avançar no planejamento do sistema ferroviário para o atendimento da carga geral. Essa estratégia é fundamental para reduzir a ociosidade dos vagões no fluxo de retorno, ampliar a movimentação de insumos em direção às indústrias e promover a migração de cargas que hoje dependem majoritariamente do transporte rodoviário.
Sustentabilidade
O Panorama também apresenta um benchmarking internacional da malha ferroviária brasileira em comparação com países de dimensão territorial semelhante e evidencia as vantagens do modal ferroviário, como a redução dos custos logísticos, a diminuição do número de acidentes e a menor emissão de gases de efeito estufa. Os dados reforçam que a ampliação e a diversificação do uso das ferrovias são elementos centrais para a construção de um sistema de transportes mais eficiente, sustentável e integrado.