Missão à China e Singapura se encerra com interesse asiático em projetos de infraestrutura do Brasil
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, encerrou nesta sexta-feira (28), em Singapura, a agenda internacional iniciada na China com avaliação positiva sobre o interesse de empresas e investidores asiáticos nos projetos de infraestrutura do Brasil. Ao longo da missão, que passou por Pequim, Xangai e Singapura, o ministro apresentou a carteira do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e discutiu oportunidades de investimentos nos setores portuário, aeroportuário e hidroviário, com foco também nos projetos previstos para 2026 e 2027.

Para Tomé Franca, o interesse demonstrado durante a missão está relacionado à segurança oferecida pelo ambiente brasileiro de investimentos e à qualidade dos projetos. “O interesse que encontramos na Ásia é resultado da segurança institucional e regulatória que o Brasil oferece, mas também da capacidade de modelarmos bons projetos, que sejam atrativos para quem investe e, ao mesmo tempo, atendam às necessidades de infraestrutura do país”, afirmou.

Segundo o ministro, a ampliação dos investimentos precisa estar associada a planejamento de longo prazo. Nesse sentido, o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 estabelece uma visão para a infraestrutura de transportes nas próximas décadas e busca orientar a integração entre diferentes modais. “A gente precisa ter planejamento para saber onde quer chegar. O PNL nos dá essa visão de longo prazo e ajuda a orientar os projetos que precisam ser estruturados para que o Brasil tenha uma infraestrutura cada vez mais eficiente e integrada”, afirmou Tomé.

“A gente precisa ter planejamento para saber onde quer chegar" Tomé Franca

Interesse na carteira
Durante a missão, empresas chinesas demonstraram interesse em diferentes projetos apresentados pelo MPor. Entre as agendas estiveram reuniões com a CSCEC, CCCC, China Merchants Port Holdings, COFCO, Hutchison Ports, Shanghai Dredging Company e COSCO Shipping, além de encontro com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco do Brics.

A carteira apresentada pelo Ministério inclui projetos de concessões portuárias e hidroviárias e iniciativas para ampliar a infraestrutura aeroportuária. No setor hidroviário, estão previstos seis projetos, incluindo as hidrovias dos rios Madeira, Tapajós, Tocantins e Paraguai, a Hidrovia Verde e o sistema Lagoa Mirim. Também estão previstos projetos de concessão dos canais de acesso de Rio Grande, Santos e Itajaí.

Em Singapura, o ministro também se reuniu com representantes da PSA International, uma das principais operadoras portuárias e logísticas do mundo. O grupo movimentou mais de 105 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) em 2025 e mantém presença no Brasil por meio da Exologística Brasil, em Itajaí (SC).

Tecnologia e automação
Ainda nesta sexta-feira, Tomé Franca visitou o Porto de Tuas, em Singapura, administrado pela PSA International, onde conheceu uma operação portuária totalmente automatizada. O empreendimento, com conclusão prevista para 2040, terá capacidade para movimentar até 65 milhões de TEUs por ano.

Durante a visita técnica, o ministro conheceu soluções de automação, digitalização e sustentabilidade aplicadas à operação portuária. O projeto prevê infraestrutura para receber os maiores navios porta-contêineres e medidas de adaptação à elevação do nível do mar, além do uso de materiais provenientes de dragagem e escavação.

A agenda em Singapura também incluiu a assinatura, nesta sexta-feira, de um Memorando de Entendimento entre o MPor, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Ministério dos Transportes de Singapura para cooperação na criação de um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países. O acordo prevê ações de cooperação para descarbonização e digitalização do transporte marítimo, incluindo estudos sobre combustíveis de baixa ou nenhuma emissão de gases de efeito estufa, pesquisa e desenvolvimento, instrumentos financeiros e intercâmbio de informações.

Balanço da missão
Para Tomé Franca, a agenda permitiu ampliar o diálogo com empresas que já atuam no Brasil e aproximar potenciais novos investidores de uma carteira de projetos estruturados pelo MPor.

“A missão foi muito positiva. Encontramos um mercado asiático com muito apetite para conhecer e participar dos projetos brasileiros. Voltamos com novas oportunidades, novas parcerias e a certeza de que o Brasil tem condições de continuar atraindo investimentos para ampliar e modernizar sua infraestrutura”, concluiu o ministro.

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