Sob fiscalização da Infra S.A., que garante a qualidade técnica e a conformidade em todas as etapas, a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) avança com o início da superestrutura, no trecho goiano da obra e já começa a transformar a realidade de cidades do interior, por onde vai passar a linha férrea.
No rastro dos trilhos que avançam pelo interior, pequenos negócios começam a viver uma nova realidade. Em cidades como Mara Rosa (GO), Nova Crixás (GO), Alto Horizonte (GO) e Santa Terezinha de Goiás (GO), o movimento crescente de trabalhadores e equipes técnicas transformou a rotina do comércio local. Mais do que trilhos, o que avança ali é uma cadeia de impactos que se espalha pela economia local, de canteiros de obras a balcões de restaurantes, de folhas de pagamento a expectativas de futuro.
Dona de um restaurante em Alto Horizonte, que hoje funciona em ritmo acelerado, a empresária Regiane Borges que já trabalhou na própria obra da FICO, como técnica de segurança, viu na ferrovia uma oportunidade de mudar de vida.
“Eu comecei lá dentro da obra, conhecendo a rotina, vendo o tanto de gente chegando, trabalhando. Guardei dinheiro, me organizei e montei o restaurante. Hoje, a gente atende muita gente todos os dias, principalmente no horário de almoço, que chegamos a entregar 500 marmitas nos alojamentos. Antes era bem mais parado, agora o movimento é constante. A ferrovia trouxe emprego, trouxe gente e trouxe renda pra cidade. Não foi só pra mim, foi pra muita gente que conseguiu uma oportunidade direta ou indireta com a obra”, conta.
O impacto também é sentido na rede de hotel da região, que passou a operar no limite da capacidade durante os períodos mais intensos da superestrutura. Proprietário de um hotel em Santa Terezinha, André Lopes Soares, relata uma mudança expressiva na ocupação e no perfil dos hóspedes, impulsionada pela presença contínua de profissionais envolvidos na construção.
“Teve uma mudança muito grande. Antes, a gente tinha uma ocupação mais baixa, dependia de eventos ou de períodos específicos. Com a obra, o hotel praticamente encheu. São trabalhadores, engenheiros, equipes técnicas que ficam semanas, às vezes meses hospedados aqui. Isso dá uma estabilidade que a gente não tinha. A ferrovia movimentou tudo: hotel, restaurante, mercado, posto de combustível. A cidade inteira sente esse impacto positivo na economia”, afirma.
Com cerca de 5.900 trabalhadores e 1.800 equipamentos operando simultaneamente ao longo do traçado, a obra – com investimento estimado em R$ 950 milhões, somente para a etapa de superestrutura no trecho inicial, sob responsabilidade da Vale no modelo de investimento cruzado, entra em sua fase mais intensa, ao longo de 292 quilômetros em obras, no trecho de Mara Rosa-GO a Água Boa-MT.
Para o diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, o momento marca não apenas a transição entre obra e legado, mas também os efeitos diretos na vida da população.
“A FICO deixa de ser apenas um projeto em execução para se tornar um ativo estratégico para o Brasil, capaz de gerar eficiência logística, reduzir custos e impulsionar o desenvolvimento das regiões produtoras. Ao mesmo tempo, é uma obra que já transforma realidades, com geração de empregos, aumento da renda e dinamização da economia local. Nosso papel é assegurar que cada etapa seja entregue com qualidade, garantindo um legado para o país,” destaca.
Para o superintendente de Empreendimentos da Infra S.A., Tharlles José Soares Fernandes, o que se vê ao longo do traçado da FICO é mais do que o avanço físico de uma ferrovia, é a materialização de um ciclo econômico que ganha ritmo. Segundo ele, a superestrutura representa o momento em que os efeitos deixam de ser projetados no papel e passam a ser sentidos, de forma concreta, por quem vive na região.
“Essa é a fase em que a ferrovia começa a aparecer de verdade, e junto com ela vem uma transformação muito clara na economia local. A gente está falando de milhares de empregos diretos, mas também de uma rede muito maior de impactos indiretos, que alcança o comércio, os serviços e a renda das famílias. Cada frente de obra ativa gera demanda, movimenta a cidade, cria oportunidades.
Obra de Superestrutura
A fase de superestrutura marca o momento em que a ferrovia passa a existir de fato. É quando entram o lastro de pedra, os dormentes de concreto e os trilhos de aço utilizado em ferrovias de carga pesada. A operação segue um ritmo industrial. Equipamentos avançam com precisão quase coreografada, assentando estruturas em sequência contínua. Cada ciclo é planejado para garantir produtividade e segurança.
A produtividade média estimada é de 1000 metros por dia, o equivalente a cerca de 18 quilômetros por mês quando as frentes estão totalmente mobilizadas, um ritmo comparável aos maiores projetos ferroviários recentes do país.
De acordo com o superintendente de Empreendimentos da Infra S.A., a fase de superestrutura concentra o momento mais decisivo da obra, quando planejamento e execução precisam operar em máxima precisão para garantir qualidade e prazo.
“Essa é a etapa mais intensa da ferrovia. O desafio é manter o ritmo com qualidade para garantir uma estrutura segura e durável e ao mesmo tempo, gerar impacto positivo na vida das pessoas. Quando entrar em operação, a FICO vai reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade da produção e levar desenvolvimento a regiões historicamente distantes dos grandes corredores de escoamento”, afirma.
A logística da obra impressiona pelo que acontece, dia após dia, sobre os trilhos ainda inacabados. Antes de chegar ao interior de Mara Rosa, cada peça percorre milhares de quilômetros em uma engrenagem que não pode falhar. Os trilhos que hoje começam a desenhar a FICO no Centro-Oeste saem de navio da Ásia, cruzam o Atlântico, desembarcam no Porto do Itaqui e seguem por ferrovia até o canteiro de obras.
A escolha de iniciar a superestrutura a partir de Mara Rosa não é casual. É ali que a FICO se conecta à Ferrovia Norte-Sul, formando um eixo logístico capaz de integrar o Centro-Oeste aos principais corredores de exportação.
De acordo com Maurício Giraldelle Martins, engenheiro regulatório da VALE, que atua diretamente na FICO , a obra avança com precisão milimétrica ao longo do traçado, seguindo a lógica de uma linha de produção em escala continental, com fluxo contínuo e rigorosamente sincronizado.
“Hoje, a gente trabalha com um fluxo em que o trilho leva cerca de sete dias para chegar até aqui, mais sete dias no retorno até o porto e três dias para descarregar. É uma operação contínua, que precisa estar muito bem sincronizada para não parar a frente de serviço”, explica.
Infraestrutura sob vigilância técnica
À Infra S.A. cabe uma função menos visível, mas central: garantir que tudo o que está sendo construído hoje funcione por décadas, e a estatal atua na verificação da qualidade do ativo entregue, com testes técnicos, acompanhamento em campo e monitoramento da execução.
A rotina de fiscalização acompanha cada etapa da obra, do projeto ao acabamento final. É um trabalho silencioso, mas decisivo para garantir que a ferrovia entregue corresponda exatamente ao que foi planejado. Com dois anos de atuação direta nas obras da FICO, após passagem pela Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), o engenheiro da Infra S.A., José Geraldo Oliveira da Silva, diz que pretende acompanhar o projeto até a entrega final, e depois seguir contribuindo em novos corredores logísticos, como a Transnordestina.
“Uma obra como essa começa muito antes da máquina chegar ao campo. Ela nasce no projeto, passa por várias etapas e exige controle o tempo todo. Aqui na FICO, a gente acompanha tudo: desde a execução até o momento final, quando a ferrovia precisa estar exatamente dentro dos padrões técnicos para ser recebida. E nesse processo, a gente vê de perto o impacto acontecendo. É emprego sendo gerado, é gente chegando de outras regiões, é a economia local se movimentando.
Ao mesmo tempo, existe o desafio de conciliar essa transformação com a realidade das comunidades, porque a ferrovia também muda o território. No fim, o nosso papel é garantir que tudo isso aconteça com qualidade, segurança e dentro das normas, para que o resultado final seja uma ferrovia eficiente e que realmente entregue o que foi planejado para o país”, destaca.
A rotina no canteiro exige atenção permanente. Máquinas de grande porte operam sem pausa, em frentes simultâneas, e o controle das áreas é rigoroso, quem não está diretamente na operação precisa manter distância. Nem sempre, porém, quem vive no entorno consegue dimensionar a escala da obra e seus impactos. É nesse ponto que entra a Ouvidoria da Infra S.A., que acompanha o dia a dia da ferrovia e funciona como ponte entre o projeto e a população, tanto pelos canais formais quanto nas visitas em campo.
“Em muitos casos, o morador não tem informação suficiente sobre a obra ou sobre os seus direitos. Nosso papel é escutar, orientar e garantir que essa demanda chegue ao lugar certo. A escuta qualificada faz toda a diferença para transformar dúvidas em respostas e preocupações em soluções”, aponta Barbara Tomaz Bonfim, gerente de Relacionamento da Ouvidoria da Infra S.A., durante visita a uma fazenda por onde passará a ferrovia.
Sobre a Fico
A Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) é um projeto estratégico para a logística nacional, voltado ao escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste. Conectada à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), integra o Corredor Leste-Oeste, ampliando o acesso ferroviário aos portos do Arco Norte. Com 364 quilômetros de extensão, a Fico I liga Água Boa (MT) a Mara Rosa (GO).
Para o diretor de Empreendimentos da Infra S.A., André Luís Ludolfo, a entrega do primeiro trecho prevista para outubro de 2026, marca uma virada importante: é quando a ferrovia começa a sair do papel de vez e mostrar resultado na prática, tanto na logística quanto na vida de quem está na região.
“Esse é o momento em que a obra começa a virar realidade para as pessoas. Não é só mais construção, é uma ferrovia que já começa a gerar resultado de verdade. A gente fala de reduzir custo de transporte, melhorar a logística do país, mas também de algo muito direto: mais emprego, mais renda e mais oportunidade para quem vive aqui. A partir dessa entrega, a FICO começa a cumprir o papel dela, que é ligar regiões, facilitar o escoamento da produção e ajudar o Brasil a crescer com mais eficiência”, conclui.