Codesp prevê retomada do crescimento no Porto em 2017


O Porto de Santos retomará o crescimento de suas operações e movimentará 120,59 milhões de toneladas de cargas neste ano, projeta a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária. De acordo com a empresa, em 2017, espera-se um aumento de 6,3% em relação ao resultado previsto para 2016. O crescimento da safra de grãos e a melhora da economia brasileira são os fatores que devem impulsionar as atividades no cais santista neste exercício.

Também é prevista uma leve recuperação nas operações de contêineres, reduzindo a possibilidade de novos cortes nos terminais que trabalham com cargas conteinerizadas. Nos últimos dois anos, a queda na movimentação dos contentores e transferências de linhas de navegação levaram as instalações a reduzir seus quadros.

A análise sobre as operações do complexo marítimo integra o balanço anual do Porto de Santos, elaborado pela companhia e divulgado ontem.

Conforme a avaliação, o Porto tende a se beneficiar com o aumento previsto para a safra de grãos neste ano. Ao contrário do ocorrido em 2016, quando houve uma queda de 10,7% na colheita, a expectativa é de 15,3% de crescimento, com 214,8 milhões de toneladas colhidas neste exercício.

Entre os granéis sólidos, o milho deve apresentar a maior taxa de crescimento, que pode chegar a 45,8%. A previsão é de que sejam embarcadas 11,8 milhões de toneladas do produto no Porto. Já a soja em grãos deve ter um incremento de 8,4% nos embarques, enquanto as operações de açúcar devem crescer 7,6%. Para esses produtos, as previsões apontam para o embarque de 15,6 milhões de toneladas e 22,1 milhões de toneladas, respectivamente.

Nos desembarques, um dos destaques será o adubo, que chegará a 3,5 milhões de toneladas descarregadas, um crescimento de 6,3%. Já o trigo deve somar 1,1 milhão de toneladas, com incremento de 6%.













O movimento de cargas no porto de Santos. Previsão é de crescimento após um 2016 fraco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No documento, o diretor de Relações com o Mercado e Comunidade da Docas, Cleveland Sampaio Lofrano, avalia que o aumento da oferta de infraestrutura esperado para este ano também poderá propiciar um crescimento da atividade portuária. O executivo faz referência à entrada em operação dos novos berços do Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplam), unidade da VLI no Canal de Piaçaguera, no Porto.

O plano de ampliação do Tiplam prevê a implantação de três novos berços (haverá dois dedicados ao embarque de açúcar e grãos e um terceiro para a descarga de fertilizantes), totalizando quatro pontos de atracação de navios. No berço que já existe, há a descarga de enxofre, rocha fosfática, fertilizantes e amônia.

Contêineres

Em relação à recuperação da economia nacional, a Autoridade Portuária considera que ela deve ampliar o movimento de contêineres, que sofreu sucessivas quedas no ano passado. Estima-se um discreto aumento de 0,5%, que possibilitará a movimentação de 3,5 milhões TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés).

Entre as cargas soltas, a alta deve girar em torno de 5,8%, impulsionada pela retomada nas exportações de celulose e veículos. É esperado o movimento de 3,5 milhões de toneladas.

Com a expectativa de maior dinamismo nas principais economias da América Latina, importante destino das exportações dos veículos no cais santista, projeta-se um crescimento de 4,4% nestas operações em 2017. A previsão é que 164.934 mil unidades sejam embarcadas ou desembarcadas na região.

Será determinante para esse resultado o aumento de 5% previsto para as exportações de autos e caminhões, que podem atingir a marca de 144.603 mil unidades. Já as importações devem chegar a 20.330 mil unidades, mantendo o mesmo patamar de 2016.

Entre os líquidos, a Docas destaca o álcool, que deve atingir 1,3 milhão de toneladas, o equivalente a um aumento de 4,4% nas operações, e os sucos cítricos, que atingirão a marca de 2 milhões de toneladas, um incremento de 2,6%.




Fluxo de navios




Para este ano, com a expectativa de incremento nos embarques de sólidos a granel, a Codesp espera a elevação da consignação média dos navios (média de tonelagem movimentada por embarcação). As estimativas apontam que o fluxo de navios crescerá 1,4%, com a atracação de 4.762 cargueiros.

A estimativa é de que em torno de 25.397 toneladas sejam transportadas por navio, uma alta de 2,2% em relação ao volume operado em 2016.

Redução em 2016 deve chegar a 5% 

A movimentação de cargas no Porto de Santos, no último ano, deve ficar abaixo do esperado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). A estatal que administra o cais santista estima que 113,4 milhões de toneladas foram escoadas pela região em 2016, 5,4% a menos do que no exercício anterior.

As projeções iniciais previam a operação de 119,6 milhões de toneladas. Em 2015, o cais santista movimentou 119,931 milhões de toneladas.

De acordo com o diretor de Relações com o Mercado e Comunidade, Cleveland Lofrano, um fator determinante para esse resultado foi a diminuição estimada para as operações com contêineres e milho. A valorização do Real, que afetou a competitividade das exportações de produtos com maior valor agregado, foi um dos motivos apontados pelo executivo. E ele estima que a situação poderia ser pior, mas “os embarques de açúcar e soja em grãos contribuíram para amenizar esse cenário, favorecidos por uma boa safra e preços internacionais em recuperação”.

As exportações de 2016 devem somar 82,2 milhões de toneladas, 6% abaixo do volume embarcado em 2015, 87,5 milhões de toneladas. Já para as importações é projetado um volume de 31,2 milhões de toneladas, uma redução em torno de 3,6% se comparado ao período anterior, que registrou o desembarque de 32,3 milhões de toneladas.

De acordo com as estatísticas da Autoridade Portuária, os sólidos a granel devem atingir 54,1 milhões de toneladas, menos 7,8% do apurado em 2015, que registrou 58,7 milhões de toneladas.

Já a expectativa para os líquidos a granel é de um aumento de 0,6%, atingindo 15,6 milhões de toneladas, contra 15,5 milhões de toneladas. A carga geral deve totalizar 43,6 milhões de toneladas, ficando 4,3% abaixo do volume do ano passado, que registrou 45,5 milhões de toneladas em 2015.

O açúcar apresentou o crescimento mais significativo e deve atingir 20,6 milhões de toneladas, ficando 13,5% acima do verificado em 2015, quando foram embarcadas 18,1 milhões de toneladas. Já a soja deve encerrar 2016 com 14,4 milhões de toneladas, cerca de 9,7% acima do período anterior.

Conforme a Codesp, a redução nos embarques de milho, estimada em 48,5%, em comparação com o total de 2015, quando atingiu 15,7 milhões de toneladas, foi determinante para a queda verificada.

Contêineres

A expectativa para a carga geral conteinerizada é atingir 3,567 milhões TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés).

Para os técnicos da Autoridade Portuária, esse cenário é resultado da combinação de dois fatores: a demanda interna desaquecida, reduzindo a necessidade de importação de produtos, e a valorização da moeda brasileira, afetando a competitividade da produção nacional. A cabotagem, que havia apresentado significativo crescimento de 27,5% em 2015, deve encerrar 2016 com queda próxima a 4%.

Fonte: A Tribuna, 4/1/2017.

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