Lançada pedra fundamental de nova usina térmica com investimentos de quase R$ 6 bilhões no Complexo do Pecém
A pedra fundamental do projeto Jandaia, que marca o início da construção de uma nova usina térmica movida a gás natural no Complexo do Pecém, foi lançada na manhã desta terça-feira (9), com a presença do governador Elmano de Freitas. A cerimônia, que ocorreu no auditório do Complexo do Pecém, reuniu autoridades estaduais, representantes das empresas Eneva e Diamante – responsáveis pelo empreendimento -, além de dirigentes do Complexo do Pecém e convidados.

O projeto foi selecionado no leilão de capacidade realizado pelo Governo Federal em março deste ano e representa um novo ciclo de investimentos estratégicos para o Estado. Com investimento estimado em R$ 5,5 bilhões, a usina faz parte de um conjunto de iniciativas que reforçam a infraestrutura energética do Ceará, ampliando a segurança no fornecimento e criando condições para a atração de novos empreendimentos industriais. A expectativa é que as obras, iniciadas ainda neste primeiro semestre, movimentem mais de 2 mil empregos diretos e indiretos.

Durante o evento, o governador destacou a relevância do projeto para a segurança energética do Estado. “Tenho convicção de que estamos fazendo aqui, nesta região, um novo Porto do Pecém. Com o nível de investimento que estamos trazendo, público e privado, é a construção de um novo Porto para o País”, disse, antes de citar alguns dos projetos que terão caráter complementar nesse sentido, como a Ferrovia Transnordestina, o Terminal de Granéis Líquidos e Tancagem e o Terminal de Gás do Nordeste, além da própria usina térmica.

“Aqui, teremos um dos escoadouros do agronegócio no País. Vamos ligar o Centro-Oeste à Transnordestina, que se ligará ao Porto do Pecém, ao de Suape, ao da Bahia… Vamos pensar a logística do País. Tenho absoluta convicção de que estamos construindo degraus muito sólidos de uma nova economia do Ceará, que tenha a energia como um de seus fatores determinantes”, discursou o governador.

Pier 0
Além da implantação da usina, o projeto Jandaia inclui a construção de um novo terminal portuário no Complexo do Pecém, o chamado Píer Zero, que receberá investimento de aproximadamente R$ 430 milhões. A estrutura será fundamental para viabilizar o transporte de gás natural e dar suporte à operação da térmica.

O novo píer permitirá a atracação de uma unidade flutuante de regaseificação (FSRU), responsável por converter o gás natural liquefeito em gás, viabilizando o abastecimento da usina e de outros consumidores. A infraestrutura também será estratégica para o fortalecimento do setor energético no Estado, ampliando a oferta de gás para diferentes segmentos produtivos.

O presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, por sua vez, ressaltou o impacto estrutural do empreendimento na consolidação do hub logístico e industrial do Estado. “Quando cheguei aqui há um ano e meio, vi o quanto o desafio era grande, como o Complexo era importante para a economia do nosso estado. Hoje, podemos ver o quanto as coisas avançaram, o quanto a gente tirou do papel coisas que eram projeto e agora estão acontecendo”, festejou.

Já na avaliação da Eneva, o projeto simboliza um avanço importante para o setor energético brasileiro e para a expansão das operações no Ceará, conforme assinalou Marcelo Lopes, diretor executivo de Marketing, Comercialização de Gás e Energia e Novos Negócios na empresa. “O complexo termoelétrico que aqui implementaremos terá um papel fundamental como complemento dentro da matriz elétrica nacional. O Brasil é um país extremamente rico em fontes de energia. A gente tem bastante hidrelétrica, fontes renováveis como solar, eólica, mas a termoeléctrica tem um papel fundamental que é a segurança. Quando o vento não venta, quando o sol não brilha, quando a chuva não cai, você precisa de fontes despacháveis. E o projeto que a gente vai implementar aqui no Ceará é um projeto que tem esse condão, tem essa natureza”, explicou Lopes.

Capacidade e duração da obra
A nova usina terá capacidade para movimentar cerca de 14 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia quando estiver em operação. A previsão é de que o terminal portuário entre em funcionamento em 2028, com a conclusão das obras e testes da térmica prevista para o primeiro semestre de 2029.

Além de atender ao próprio projeto, a nova infraestrutura permitirá o fornecimento de gás para outras plantas industriais, incluindo a UTE Termoceará, da Petrobras, e futuros empreendimentos. A expectativa é que o Complexo do Pecém se consolide como um importante polo de distribuição de gás natural para todo o Nordeste.

Também participaram da solenidade desta terça-feira o presidente da ZPE Ceará, Rafael Sá; o prefeito de São Gonçalo do Amarante, Marcelo Ferreira Teles, e o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Caucaia, Deuzinho Filho.

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