Matheus Miller: Incentivos à cabotagem e fortalecimento da multimodalidade
Mais um impulso será dado pelo Governo Federal com o objetivo de incrementar a oferta de infraestrutura de transporte e reforçar mecanismos que possibilitem a retomada do crescimento econômico. A “BR do Mar”, como estão chamando a proposta de legislação elaborada pelo Executivo, a ser apresentada em breve através de uma Medida Provisória, promete soluções para os principais gargalos (custo e operacional) da navegação de cabotagem, um incremento na indústria naval e uma abertura ao mercado de trabalho para os marítimos.

São demandas e soluções que foram endereçadas pelas entidades empresariais do setor há tempos e que sempre esbarraram na maneira estreita de condução da economia nacional. Muitas leis e regulações se seguiram ao longo dos últimos duzentos anos como, por exemplo, o Decreto n° 123 de 11 de novembro de 1892, que estabelecia normas para a navegação de cabotagem. Hoje, existem aproximadamente 80 iniciativas legislativas que tratam diretamente ou lateralmente da cabotagem e que poderão ser encerradas quando da aprovação da MP.

Portanto, a discussão deve ser feita e pode possibilitar ao Brasil uma nova realidade para alterar a predominância rodoviarista da nossa matriz de transportes. A navegação de cabotagem tem seu potencial máximo alcançado quando está associada a um plano de desenvolvimento econômico nacional. A economia brasileira saiu da UTI, mas está muito longe de tirar proveito completo dessa iniciativa.








O exemplo internacional, em países com características territoriais parecidas com as nossas, mostra que a matriz do transporte de cargas está dividida de forma a garantir a participação equilibrada de cada modal, propiciando a utilização da multimodalidade, o que reflete diretamente no custo do frete e, consequentemente, no custo produtivo local, tornando o mercado interno mais competitivo para o comércio internacional.

A Intermodal Association of North America argumenta que, no caso americano, onde as ferrovias são as mais utilizadas no transporte multimodal, o valor do frete pode ser de 15% a 20% menor quando comparado ao custo do transporte rodoviário entre a mesma origem e destino.





A multimodalidade, portanto, é o melhor caminho a ser seguido e estimulado no Brasil, podendo a navegação de cabotagem exercer papel de destaque nesse novo cenário, desde que cada um dos modais que formam o sistema de transporte seja tratado em suas particularidades e recebam mesma atenção e incentivos do Governo. Também há de se considerar o impacto ambiental reduzido no transporte de cargas por via férrea ou marítima, por exemplo, quando comparado com a eficiência energética do transporte rodoviário.

O assunto ainda será debatido e votado no Congresso Nacional. O que se espera é que a discussão tenha como objetivo os interesses nacionais, uma visão de longo prazo, sustentável e, principalmente, o comprometimento com a redução do custo produtivo nacional.

Fonte: A Tribuna, 28/08/2019.

Read Also Other News

Agência Porto
| 02 abr, 2025

Novos Caminhos Ferroviários – ANTT debate sobre a Resolução do Chamamento Público de Ferrovias

Read more
Agência Porto
| 02 abr, 2025

CDP e Uepa firmam parceria estratégica para monitorar a qualidade da água nos portos

Read more
Agência Porto
| 02 abr, 2025

CODERN publica edital de licitação para dragagem do canal de acesso ao Porto de Natal

Read more

How can we help?

Tell us how we can help with one of our services and solutions.

Request a quote

This website uses cookies to personalize content and analyze website traffic. Meet our Privacy Policy.