O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) participou, nesta quarta-feira (12), da apresentação do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, documento que estabelece as diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura de transportes brasileira nas próximas décadas. O plano reúne diagnósticos e prioridades para os setores rodoviário, ferroviário, aquaviário, hidroviário e aeroportuário e busca ampliar a conexão entre os diferentes modais.
Para o MPor, o PNL 2050 representa um marco no planejamento da infraestrutura brasileira, resultado de um trabalho conjunto entre os ministérios e do diálogo com diferentes setores da logística nacional. Na elaboração, as pastas do Governo Federal foram ouvidas com contribuições que se consolidaram dentro do documento.
A integração é um dos principais desafios da logística brasileira e os diferentes modais não funcionam de forma isolada. O plano traz como resposta a necessidade de integrar transportes e fazê-los dialogarem entre si.
Para o Ministério dos Transportes a construção do PNL exigiu a atualização de informações e a produção de dados e evidências capazes de sustentar as decisões de longo prazo.
Integração na matriz de transportes
O Ministério de Portos e Aeroportos participou da construção do documento em conjunto com o Ministério dos Transportes, com a Casa Civil da Presidência da República e o Ministério do Planejamento e Orçamento, além de integrantes do Comitê de Governança do Planejamento Integrado de Transportes (PIT).
A participação da pasta contribuiu para incorporar ao planejamento nacional desafios e oportunidades dos setores portuário, hidroviário e aeroportuário. Entre os temas estão a ampliação da cabotagem, a melhoria dos acessos aos portos, o fortalecimento da navegação interior, a integração regional por meio da aviação e a conexão entre os diferentes modos de transporte.
De acordo com dados da Infra S.A., 54% da movimentação de cargas está concentrada no modal rodoviário. As ferrovias respondem por 27%, o segmento aquaviário por 19% e o transporte aéreo por menos de 1%. O plano busca contribuir para uma matriz mais equilibrada, com a ampliação das alternativas de transporte e maior conexão entre os modais.
O diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, ressaltou a amplitude do processo de construção do PNL e a importância de transformar o planejamento em resultados para o país. “O mais importante é que o documento tenha uma diretriz que possa melhorar a qualidade logística do Brasil e reduzir custos, que é o essencial”, avaliou.
Portos, hidrovias e aeroportos
Na área hidroviária, o documento identifica gargalos que ainda limitam o aproveitamento do modal, incluindo a necessidade de melhorias de calado, dragagem, balizamento e infraestrutura de terminais fluviais. O fortalecimento da navegação interior é tratado como uma oportunidade para ampliar a conexão entre regiões e diversificar as alternativas de transporte de cargas e passageiros.
No setor portuário, entre os desafios identificados estão as dificuldades de acesso aos portos, os conflitos entre a movimentação de cargas e o tráfego urbano, a falta de coordenação entre diferentes modais e entre os entes federativos e a necessidade de ampliar áreas destinadas ao armazenamento e à movimentação de contêineres nas regiões retroportuárias.
No setor aeroportuário, o plano considera aspectos como a integração regional, a concentração da infraestrutura e os impactos das mudanças climáticas. Aeroportos inseridos em corredores de integração e eixos intermodais são considerados alternativas para ampliar a conectividade e contribuir para a redução da pressão sobre infraestruturas mais saturadas.
Logística preparada para o futuro
Além da eficiência econômica, o PNL 2050 incorpora aspectos sociais, ambientais e climáticos ao planejamento. A metodologia considera a vulnerabilidade dos territórios aos riscos climáticos e busca antecipar impactos que possam afetar futuros investimentos.
Entre as diretrizes está o uso de indicadores de resiliência climática para orientar decisões de investimento. O documento também trata a infraestrutura de transportes como instrumento de integração territorial e acesso a direitos e serviços.
Nesse contexto, são consideradas, por exemplo, infraestruturas portuárias destinadas ao transporte de pessoas e de produtos da sociobiodiversidade e a importância das pistas de pouso para a conexão de comunidades localizadas em regiões remotas e terras indígenas.
Acesse aqui o PNL 2050.