Sem dragagem, movimentação de cargas no Porto de Santos deve cair

A paralisação dos serviços de dragagem e o impacto que isso pode ocasionar no calado do Porto de Santos preocupam especialistas do setor. Para o economista Helio Hallite, as projeções feitas para este ano e o início de 2018 podem ser frustradas.


“A recuperação de movimentação no Porto de Santos já era prevista, pois tivemos um 2016 ruim economicamente. Quem está fechando negócio com o País não está preocupado com o calado, pois as mercadorias acabam sendo movimentadas por outros portos”, afirma o economista.


Ele acredita também que a necessidade de desembarque de cargas em outros portos pode fazer com que o cenário seja ainda pior do que o de 2016. “Precisamos resolver de maneira emergencial essa questão da dragagem, pois não é possível sofrermos interrupções neste serviço, que não pode ser judicializado”, diz ele.


O economista refere-se às ações movidas pela Boskalis do Brasil, empresa do consórcio vencedor para realizar as obras de dragagem do cais santista, contra a Codesp. Por conta delas, a Justiça Federal determinou a interrupção do serviço de manutenção no canal do Porto e a suspensão de uma licitação para o serviço.


Possibilidade de recuperação


“Temos tudo para melhorar a movimentação do Porto de Santos no segundo semestre: a safra de milho promete ser boa, temos as importações para Natal e Ano Novo. Mas isso só acontecerá se não tivermos nenhum impeditivo operacional”, analisa o consultor portuário Fabrizio Pierdomenico.


Assim como Hallite, o consultor acredita que esse bom desempenho só deve ocorrer caso a questão da dragagem seja resolvida. “Os contêine-res, por exemplo, já têm o impacto da recessão em sua movimentação, mas vêm tentando reagir. O segundo semestre é o mais forte para esse tipo de movimentação de carga. Então, corremos o risco ainda de ter uma ligeira queda neste setor”, pondera.


Procurada para comentar sobre a expectativa de movimentação até o final do ano, a Codesp não retornou até o fechamento desta edição.


Fonte: A Tribuna, 1º/8/2017.


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